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Artes Plásticas

Quadros pintados por ex-presidiário são expostos em Manaus

Oriney Bezerra Lira pintou obras com temas amazônicos enquanto estava em presídio. Ele conquistou oportunidade de transformação social através da arte.

A paixão pela Amazônia e o talento artístico nato são chave de vida nova para Oriney Bezerra Lira, de 34 anos. Nos dez meses em que esteve preso no Centro de Detenção Provisória Masculino 2 (CDPM2), ele pintou mais de 50 quadros e paredes do presídio com temas amazônicos e conquistou uma oportunidade de transformação social.

Oriney Bezerra Lira pintou quadros sobre Amazônia enquanto estava detido em unidade prisional (Foto: Divulgação)

Por meio de uma parceria entre a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), os quadros produzidos por Oriney na prisão serão objeto de uma exposição no anexo da sede da DPE-AM, na Avenida André Araújo, 679, Zona Centro-Sul de Manaus, com lançamento marcado para esta quarta-feira (30), às 14h30.

A exposição estará aberta ao público de 1 a 9 de outubro, de 8h às 14h. As visitas serão agendadas por meio de um link disponível em banner na página principal no site da Defensoria – http://exposicao.agendadpeam.com/home/.

Também por medida de segurança, o número de visitantes será limitado a dez pessoas por hora. A exposição deve seguir, posteriormente, para outros órgãos públicos, em cronograma ainda a ser definido. As obras expostas não estão à venda. Mas Oriney está aberto a pedidos de encomenda.

Todos os quadros de Oriney têm como tema a Amazônia, seus animais e plantas, além dos caboclos ribeirinhos, uma paixão que o pintor tem desde menino, quando, ainda morando em Maraã, interior do Amazonas, pescava com o pai no rio Japurá. A paixão pelo tema é tanta, que o pintor adotou o nome artístico de Oriney da Amazônia, com o qual assina todas as obras.

Todos os quadros de Oriney têm como tema a Amazônia (Foto: Divulgação)

“Sou do interior, de Maraã, e meu pai sempre cuidou de sítios. Ele me levava para pescar. Sempre via garças, vitória régia e os animais e plantas. Sou apaixonado pela Amazônia, pelas árvores, pelas flores. Hoje quero mostrar mais ainda o grito da nossa Amazônia, das plantas e dos animais. Porque é uma cultura que está morrendo. A gente está vendo tudo isso sumir. E, talvez, com essas telas, as pessoas consigam enxergar que estão ficando sem tudo isso”, explica.

Faz duas semanas que Oriney deixou o CDPM2, onde estava preso por ameaças que fez à esposa em momentos de desentendimento. No presídio, o pintor, que ganhava a vida com pintura de paredes, sentiu ainda mais necessidade de se expressar pela pintura e começou a fazer sua arte com o que encontrava: material de artesanato dos cursos disponíveis no presídio, pedaços de compensado e até lençóis que não seriam mais usados.

E assim, Oriney foi notado pelo diretor do presídio, Jean Carlo Silva de Oliveira, que começou a ajudar com a compra de materiais.

“Quando cheguei à unidade em meados de janeiro de 2020, Oriney já estava custodiado no CDPM 2 e inserido no projeto de remição na área de artesanato. Desde então passei a acompanhá-lo e observei que o mesmo possui talento nato na pintura e escultura, buscando inspiração na nossa vasta e floresta amazônica. É admirável o trabalho que o mesmo exerceu na unidade”, diz.

Para o diretor da unidade prisional, a exposição representa um marco de valorização da pessoa pelo talento e uma forma de mostrar que há nos presídios muito além de crimes e violência. Há também talentos escondidos e a possibilidade de recuperação.

Todos os quadros de Oriney têm como tema a Amazônia (Foto: Divulgação)

“Acredito que Oriney, após esta experiência, acreditará em um futuro honesto e digno, lhe dará motivação para continuar a acreditar na liberdade. Os outros internos passarão a ver nele um símbolo de esperança, que através do trabalho é possível conquistar qualquer objetivo que colocar em mente”, avalia Jean Carlo.

Aprendizado

Oriney estudou somente até a 6ª série do Ensino Fundamental e nunca fez um curso de artes. Vivia de bicos pintando paredes e propagandas em muros, mas sempre sonhando em ser artista de profissão.

Tudo o que aprendeu sobre pintura de quadros e esculturas, diz, foi com amigos artistas. O primeiro deles, conheceu em uma igreja e faz questão de citar o nome, Marcley Leal. Fez amizade e passou a trabalhar vendendo seus quadros.

“Me apaixonei pela arte dele e ele foi me dando uns toques. E assim fui me aprimorando. Nunca tive como comprar material. Tudo o que achava na rua e que desse para pintar em cima, eu levava para casa. E todo artista que eu encontrava virava meu amigo”, conta.

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